Um dia a gente tem que crescer. É o que dizem. É claro que não
estou falando sobre crescer centímetros - até porque isso é relativamente
limitado, um bom salto ajuda um pouco, mas ainda não inventaram remédio para os
meus 1,53 cm de altura... mas é certo que eu cresci.
Crescer é um processo que eu não sei se percebi acontecer. E
nunca me preparei para isso. Talvez seja tal síndrome de Fada Sininho da qual a
minha irmã tanto fala...
Mas não. Foi justamente quando as coisas estavam mais fora do
lugar que tudo aconteceu. Eu cresci quando descobri o que eu quero e - mais que
isso - o que eu não quero pra preencher os meus dias, que viviam tão cheios de
mim mesma. Posso dizer que o acidente foi meio uma como uma chance de recomeçar,
fazendo as coisas do jeito que eu não considerava certo, talvez como a minha mãe
tinha dito que deveria ser... e eu, talvez pela primeira vez na vida, finalmente
sei o que estou fazendo.
Crescer é limpar as nuvens e ver o que a vida é muito mais que
o nosso mundinho. Que, no fim das contas, cumprir tudo o que dizem que deve ser
feito como ter emprego, casar e ter filhos compensa, se você puder parar às
09h13 de um dia de semana e sorrir, aparentemente sem motivo. Crescer é colocar
o nosso egoísmo de lado e deixar que outra pessoa faça parte da sua vida. É
acreditar que o mundo ainda é bom o suficiente para o seu filho nascer. É ver
que preencher as expectativas dos nossos pais pode ser bacana e ficar feliz com
isso.
Hoje, aos 35 anos eu descobri o que me faz feliz, acho que foi
então que eu cresci. Agora eu trilho meu próprio caminho e, finalmente, sei para
onde ir.
Então um ano se passou...